"STOP à violência" juntou representantes de diversas áreas

FPF

Mesa redonda deu voz aos responsáveis das várias entidades que estão envolvidas nas organizações desportivas

Decorreu na manhã desta quarta-feira a apresentação da campanha "STOP à Violência", campanha que pretende sensibilizar para a condenação de qualquer tipo de episódio de violência no meio do desporto e do futebol em particular. Depois de apresentada a campanha, houve lugar a uma mesa redonda com a participação de vários representantes de entidades envolvidas na organização das competições de futebol nacionais. 

A abrir o debate, José Carlos Oliveira, da Direção da Federação Portuguesa de Futebol, falou na identificação de eixos prioritários de atuação que a Federação identificou. "A FPF foi muito sensível ao apelo que sentiu de vários quadrantes - porque o futebol tem essa presença mediática muito grande e isso traz-nos a responsabilidade de dar resposta -  e identificou alguns eixos prioritarios de intervenção que estão a ser contemplados e queentram hoje em consulta pública e que pretendem dar resposta a este tipo de fenómenos, nomeadamente nos regulamentos disciplinares. Têm a ver com comportamentos de agressão para com equipas de arbitragem, comportamentos discriminatórios, declarações de dirigentes para com outros dirigentes, pirotecnia, comportamentos indevidos dos adeptos, assédio moral e sexual. Essa revisão comtempla também as dívidas salariais, para as quais já tínhamos sansões de significativa gravidade - às quais acrescentamos a previsão de perda de pontos para clubes que incorram em incumprimentos de natureza económica", disse, sublinhando a importância de ações concertadas e transversais a todas as competições. "A Federação representa a cúpula, mas temos outros com poder regulentar, nomeadamento a Liga Portugal. Só com a convergência de todos os instrumentos regulamentares teremos um combate eficaz a estes fenómenos".

O presidente do Sindicato de Jogadores de Futebol Profissional, Joaquim Evangelista, entende que o combarte à violência deva começar também nas fileiras da Assembleia da República e no discurso político, também ele com enorme peso mediático. "É mais uma vez o deporto e o futebol a assumir um ónus que nao é exclusivamente seu. É importante que o Governo coloque este tema na agenda. Este tema é um problema que é da comunidade e do País, que não é exclusivo de Portugal. Quem tem maior visibilidade tem maior responsabilidade e nessa medida nós temos a nossa e independentemente dos agentes desportivos que estão na sala, devo dizer que muito do discurso de ódio tem a ver com o discurso clubístico. Comecei a ver comportamentos recorrentes do passado e era importante mudar esse discurso porque impacta os adeptos e consequentemente também os árbitros. Somos um País europeu civilizado e por isso temos de fazer esse esforço. A consequência dos nossos comportamentos reflete-se na comunidade". 

O presidente da APAF, José Borges, falou num fenómeno que afeta os vários agentes desportivos e não apenas os elementos das equipas de arbitragem. "Os árbitros têm muita paciência e são muito resilientes nesse contexto. Quero salientar o compromisso da FPF e da Liga no combate à violência. Saber que estamos agregados neste desígnio deixa-nos mais conforáveis para agir no dia a dia. Há muito trabalho a fazer, mas já demos o primeiro passo que é estar unidos neste combate. Há árbitors vítimas de violência, mas também jogadores, treinadores e até adeptos. Este é um trabalho que não proteje só os árbitros, mas que é global e há aqui muito trabalho pela frente". 

Já o presidente da Associação de Futebol de Lisboa e membro da Mesa do Plenário das Associações Distritais e Regionais, Vítor Filipe, sublinhou o papel dos pais no incentivo aos valores que o desporto deve preconizar. "Nós temo-nos debatido com o aumento de violência. Temos tido algumas ações, nomeadamente a formação de dirigentes. Nos jogos de formação, contrariamente ao que seria expectável, são os pais dos jovens que às vezes têm estes comportamentos de violência entre eles. Nós temos de formar os nossos dirigentes, para que junto dos pais incentivem comportamentos que levem também as crianças a ter outros comportamentos". 

Para o vice-presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, João Sousa, os treinadores devem também estar sensibilizados para a conduta cívica das equipas que lideram. "Os treinadores também têm, além das questões tácticas, de ter uma conduta diferente. E estamos a tentar resolver esse problema, para que haja maior respeito e lealdade e para que possamos ser exemplo para os jogadores, sendo mais corretos, independentemente de todos querermos ganhar. Deve haver mais respeito por todos os envolvidos no futebol."

Rodrigo Cavaleiro, da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, apelou ao sentido de responsabilização dos agentes desportivos com maior exposição pública, tendo em conta que "são modelos para as crianças" e fez referência aos números desde 2019. Já o subintendente da Polícia de Segurança Pública, Adriano Magalhães, falou no esforço das forças de segurança para combater o fenómeno também no desporto. "Fazemos de tudo para evitar situações de violência no desporto. Há elementos que se dedicam à investigação de casos de maior ou menor mediatismo e que têm tido uma ação rapida, que leva os intervenientes à justiça. Nas competiçãoes mais jovens, sobretudo, onde não é obrigatório o policiamento, fazemos sempre avaliações de risco". 

A Federação Portuguesa de Futebol, recorde-se, levará a cabo um conjunto de ativações e ações de sensibilização nas competições da FPF que se realizam no próximo fim de semana.

 


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