Francisco Neto: "Temos de manter a nossa identidade"

Futebol Fem. - Seleção A

Selecionador Nacional explica escolhas e traça objetivos para os próximos dois jogos de Portugal

Depois de anunciar a convocatória para os jogos frente à Letónia e à Eslováquia, esta segunda-feira, em conferência de imprensa na Cidade do Futebol, Francisco Neto esteve à conversa com os jornalistas. O Selecionador Nacional destacou a importância de manter a identidade e a seriedade demonstradas no último estágio, sublinhou o equilíbrio entre juventude e experiência como fator decisivo para o sucesso e elogiou o crescimento do futebol feminino em Portugal. Revelou, ainda, que a Equipa Técnica Nacional faz um acompanhamento contínuo de todas as jogadoras portuguesas.

Sobre os objetivos e os próximos adversário (Letónia e Eslováquia)
“O objetivo será sempre trabalhar e lutar pelos três pontos nos dois jogos. Não fica nada matematicamente fechado no final desta dupla jornada, se ganharmos os nossos dois jogos e a Finlândia também ganhar os dela, por isso temos de continuar sempre focados naquilo que falta desta fase de apuramento. Em relação a estes dois adversários, será um contexto completamente diferente. Nós, nas duas primeiras jornadas, jogámos em casa; agora vamos ter jogos fora. A Eslováquia, em casa, apresenta níveis competitivos superiores aos que apresenta fora. A Letónia, apesar de ser uma equipa de pote quatro, também tem qualidade e é preciso ter muito cuidado, porque fez uma dupla jornada fora e conseguiu marcar golos nos dois jogos. Foi mesmo altamente competitiva contra a Eslováquia e podia ter empatado, e contra a Finlândia também teve momentos em que tentou ter bola e pressionar mais alto. Agora vamos ver que abordagem terão contra nós em casa. As duas equipas, a jogar perante os seus adeptos, são sempre mais perigosas. Nós temos de manter a nossa identidade, o espírito e a seriedade do último estágio, e se assim for, as coisas ficam mais fáceis para o nosso lado.”

Sobre equilíbrio entre experiência e juventude
“Temos de olhar para toda a gente da mesma forma, independentemente de ter mais ou menos internacionalizações, olhando muito para aquilo que podem acrescentar no momento. Há um processo normal nas seleções: a cada época que passa, entra sangue novo, jogadoras novas, uma renovação natural. Para nós, esse equilíbrio é muito importante. Só conseguimos ter sucesso se tivermos esse balanço - por um lado a experiência de quem já viveu estes momentos, e por outro jogadoras que estão a fazer bons percursos nos clubes e trazem coisas diferentes. É essa mistura de juventude com experiência que nos permite continuar a lutar pelos nossos objetivos, que é estar nas fases finais.”

Sobre o crescimento dos clubes e observação de jogadoras
“É prova de que há muito talento fora dos chamados grandes e também no estrangeiro. Enquanto equipa técnica, fazemos um trabalho de observação contínuo: todos os fins de semana vemos jogos, ao vivo e em vídeo. Todas as jogadoras portuguesas são observadas. Há muito bom trabalho a ser feito em vários clubes em Portugal. A final da Taça da Liga é um exemplo disso. E temos também a vantagem das seleções jovens, como as sub-19, que preparam jogadoras para chegar à seleção A. É nesta conjugação que a jogadora portuguesa vai crescendo - com jogos mais competitivos, uma liga mais forte - para termos jogadoras cada vez mais preparadas.”

Sobre a chamada de Bárbara Lopes e opções táticas
“Não é uma questão de substituir uma defesa por uma avançada. Nós queríamos mais uma jogadora — no último estágio trouxemos a Alicia das sub-23. A Bárbara é uma jogadora que nos pode ser opção numa linha de três [defesas], tem capacidade de ligar jogo por dentro, dá outra dimensão a uma estrutura diferente. Também pode jogar numa linha de quatro, por fora. A Lúcia, por exemplo, nós olhamos para ela como avançada, apesar de poder fazer a lateral. Em função da abordagem, pode jogar mais subida. Quanto à Telma Encarnação, teve uma paragem longa, está a recuperar o seu momento. Contamos com ela, mas queremos que esteja a 100 por cento. Quando estiver, estará mais próxima de voltar.”

Sobre novas jogadoras e renovação da equipa
“Esse é o nosso trabalho. Temos trazido várias jogadoras, criado condições para que possam entrar e afirmar-se. A Carolina Correia já começa a ter presença mais regular, a Andreia Bravo regressa, a Carolina Santiago também entra nesse lote. Queremos continuar por este caminho: dar oportunidades e criar condições para que a jogadora portuguesa possa mostrar o seu talento dentro de campo.”


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30 de Março 2026
Foto

André Sanano/FPF

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