Selecionador Nacional fez antevisão dos jogos com México e Estados Unidos.
Roberto Martinez, Selecionador Nacional, em discurso direto:
"Antes de mais, gostaria de lamentar a perda de uma figura do futebol português. Deixo aqui os meus sentimentos à família e amigos do Silvino. Este estágio é a última oportunidade para experimentar, o último estágio antes da convocatória do Mundial. Temos dois jogos interessantes, adversários diferentes, da CONCACAF. Vamos trabalhar muito o protocolo, a mudança de horário, a altitude... É o mais importante trabalhar. Para assim podermos dar o que os jogadores, individualmente, precisam para chegar ao Mundial nas melhores condições. Temos o Nelson Semedo, outros jogadores que medicamente não estão aptos. É um estágio para uma gestão física e de oportunidade. Temos jogadores novos, que podem trazer qualquer coisa diferente, e agora temos uma oportunidade para criar a melhor equipa para o Mundial".
"É uma boa oportunidade para defrontar equipas que têm muita personalidade, que gostam de situações de um contra um em todo o campo. Podemos experimentar muito a nossa saída, a construção. A pressão de México e Estados Unidos é ao homem, com muita intensidade. Aspetos que podemos experimentar bem. Taticamente não vou revelar mais porque seria muito fácil para o adversário, mas são aspetos que equipas da CONCACAF podem apresentar durante o jogo".
"Adversários muito diferentes. Não são europeus. Treinadores que trabalharam muito na Europa, mas diferentes. A CONCACAF é uma competição diferente. Os Estados Unidos venceram o Uruguai num desempenho fantástico, um jogo posicional, com cinco atacantes. Têm capacidades físicas muito importantes. Jogos que, para nós, vão ser bons para trabalhar um adversário com uma pressão alta e transição rápida. México é forte em casa. Para nós, poder jogar em altitude, contra uma equipa que conhece as condições, tem um apoio incrível... São jogos em que podemos construir e criar muita informação para o Mundial. Samu Costa? É um jogador que já conhecemos. A sua impressão foi muito boa. Mas acho que mudou. Queremos utilizar uma nova posição e no clube desempenha uma função muito dinâmica. E tem a ver com a energia. A exigência deste Mundial vai ser a energia do dia-a-dia. É um Mundial muito complexo e acho que a energia dele pode ser muito importante. São jogadores muito novos. Ele, o Rodrigo Mora, o Mateus Fernandes... Podem ser muito importantes".

"O importante é ter um grupo de jogadores com polivalência. A posição de lateral-esquerdo é uma posição que um jogador com pé direito consegue fazê-lo. O Nuno Mendes é lateral-esquerdo e o João Cancelo está a jogar lá numa das melhores equipas do mundo. Para nós, as duas posições estão bem preenchidas com Diogo Dalot, Matheus Nunes, João Cancelo e Nuno Mendes. Não é uma questão de ter jogadores com uma posição no seu clube que seja de um ou outro nome. Temos 20 posições na Seleção e trabalhámos nisso. O sistema tática é diferente com bola e sem bola e tem mais a ver com o jogador do que com a posição. Mas esta é uma reflexão que já fizemos em novembro. O que acontece num torneio... Há situações em que os jogadores precisam de ser polivalentes e precisamos de ter todas as posições cobertas e na Seleção temos".
" (...) No Azteca há jogo, não há dúvida. Estamos a preparar o jogo com três dias de treino ao nível do mar. A ideia é treinar a equipa, adaptar à mudança horária a nível do mar e chegar à altitude no dia do jogo. É um aspeto científico e temos três dias de trabalho no México antes do jogo. Depois temos a oportunidade de ir a Atlanta. É um estádio fechado com as mesmas condições de relva e temperatura do que vamos defrontar nos dois primeiros jogos, em Houston. A nossa preparação é muito focada na adaptação do corpo, poder ter um bom desempenho em altitude e, depois, tudo aquilo que seja jogar num estádio fechado com uma relva como em Houston. Também os protocolos de 'cooling breaks' estarão introduzidos e tudo isso faz parte do foco e objetivos dentro do estágio. Não há plano B, não precisamos de plano B e está tudo bem tratado"
"O nosso processo é muito rigoroso. Agora temos o estágio de março e é preciso gerir o aspeto físico e médico dos jogadores. O Rúben Dias, o Nelson Semedo... São dois jogadores importantes e que não estão aptos. Mas é uma oportunidade. O difícil para o jogador é ser chamado, o fácil é mostrar o que pode fazer no espaço da Seleção, utilizar essa experiência em dois jogos particulares muito importantes para termos mais informação. E, claro, tentar utilizar o máximo de substituições. Estamos à procura de uma resposta da FIFA, mas acho que poderemos fazer mais de seis substituições. Isso faz parte de criar a competitividade para os jogadores e poder tomar decisões para construir a melhor equipa para ir ao Mundial".
"Não é só agora, é uma situação onde o compromisso e a exigência do futebol são difíceis de gerir. Eu treinei na Premier League e não gostava quando os jogadores iam à seleção. É uma realidade. Mas enquanto selecionador, sei que o momento mais importante para um jogador é vestir a camisola do país e poder estar no Mundial. A nossa responsabilidade é preparar o Mundial. A questão das viagens, das trocas de horários, de treinar na altitude, dos protocolos de tempestades. Março é o período perfeito para podermos poupar tempo em junho. E os clubes também acham que é importante dar descanso aos jogadores, haver o 'poder' de parar a época e depois relançar a preparação. As conversas com clubes e treinadores são positivas. É uma situação difícil, mas todos temos a responsabilidade de ajudar o jogador. Os jogadores adoram jogar pelo clube, mas jogar pela Seleção é um orgulho. Já jogámos na Arménia, na Hungria... São coisas que fazem parte da vida do jogador internacional. Estamos entusiasmados com tudo o que vamos viver e jogar no Estádio Azteca, na altitude, os treinos, os dias depois do jogo do México... Será muito importante para a preparação. Fico muito satisfeito pelo esforço que fizemos enquanto Federação, de ter dois particulares em países onde o Mundial vai acontecer".