Declarações dos protagonistas no final do encontro entre Portugal e Bélgica.
A Seleção Nacional de Futsal venceu a Bélgica, este domingo, por 8-2, em jogo dos quartos de final do Euro 2026.
No rescaldo do encontro, o Selecionador Nacional Jorge Braz e os internacionais Bruno Coelho e Pany Varela fizeram à análise à exibição portuguesa e perspetivaram já o jogo das meias-finais, diante da França.
Jorge Braz, Selecionador Nacional, em discurso direto:
"Sabemos que estas coisas podem acontecer e houve algum mérito da qualidade individual, da forma como aproveitaram as transições de forma tão objetiva, em momentos em que o permitimos. Mas estava tranquilo, pela forma como estávamos a produzir e a atacar. Assim que afinámos a última decisão, os golos começaram a aparecer e podiam ter sido muitos mais. Tentaram com tudo, com armas muito boas que têm, decisores fantásticos no 5x4, mas nós fomos muito consistentes e podíamos ter feito quatro ou cinco golos a defender o 5x4. Acabámos por sermos nós, na segunda parte tivemos posses mais longas e cuidadas, a tentar selecionar melhor o momento, as oportunidades foram aparecendo e é natural acabarmos com esta diferença no marcador.
Duas coisas importantes: em primeiro, até parece que banalizámos isto. Até parece que é fácil estarmos nas meias-finais de um Campeonato da Europa, independentemente de contra quem jogamos. É preciso consistência, rigor e andar num registo altíssimo. E nós temos andado e hoje voltámos a andar lá em cima, em muitos momentos. 2- Construímos bem e chegávamos aos dez metros, mas depois nem sempre decidíamos bem. Prolongando isso, esperando o momento certo, envolvendo mais a Bélgica no jogo, mais oportunidades e mais claras ainda iam acontecendo. Foi isso que melhorámos na segunda parte e o resultado acabou por ser natural e normal.
Ao intervalo, tentei abrir-lhes os olhos para as janelas que às vezes são demasiado evidentes. Uma questão de timing, de orientação, daquele toque de finalização com qualidade. Na primeira bola parada do jogo, ficámos quase com um 2x0 claríssimo. O remate não sai bem. Temos três ou quatro bolas claríssimas, foi a definição...
A França é um dos países que mais tem crescido ultimamente e mais tem apostado na modalidade. Isto é o reflexo do trabalho que eles estão a fazer com jogadores geniais. Hoje foi um bom jogo para preparar a meia-final, porque a Bélgica também tem jogadores interessantes no 1x1. Mais uma vez é focarmo-nos em nós e preparmo-nos para a meia-final."

Bruno Coelho, internacional português, em discurso direto:
"Sabíamos das dificuldades que iamos encontrar. É uma seleção muito boa individualmente, com jogadores muito bons tecnicamente. Entrámos, talvez, um pouco ansiosos e receosos, mas depois com o desenrolar do jogo conseguimos dar a volta por cima. Não entrámos bem, eles fizeram um golo, mas soubemos reagir enquanto equipa. Fomos à procura do golo e conseguimos.
É uma exibição com maturidade. Consoante a competição vai avançando, vamos crescendo emocionalmente e enquanto equipa e isso tem-se visto de jogo para jogo. Agora é recuperar para as meias-finais.
Já sabemos das dificuldades que vamos encontrar diante da França. São muito bons individualmente, têm muito bons jogadores, estão a crescer e teremos que estar no máximo das nossas capacidades. Sabemos bem o que queremos, quais os nossos objetivos e vamos estar preparados, com certeza."

Pany Varela, internacional português, em discurso direto:
"Sabíamos que íamos ter que competir durante os 40 minutos. Não entrámos da forma como nós queríamos, em termos de intensidade. Começámos a perder por 1-0, mas conseguimos reentrar no jogo, aumentar os índices de intensidade e competitividade e acabámos por vencer de forma justa. Parabéns a toda a equipa e ao staff. Propusemo-nos a algo e demos mais um passo nesse sentido.
Quando o coletivo está num nivel muito alto, o individual há-de sobressair. Com tanta qualidade que temos no plantel, a cada jogo houve alguém sempre a sobressair-se, mas isso é consequência do que a equipa faz. Independentemente de quem faz mais golos, assistências, cortes ou defesas, o importante é Portugal ganhar. Estamos cá para isso, para elevar o escudo que levamos ao peito. Estamos de parabéns, demos mais um passo, estamos nas quatro melhores seleções e vamos recuperar, descansar as pernas e continuar a andar.
A França é uma equipa com muito talento individual e irreverência, essas são as duas principais características que os definem. Estaremos cá para contrariar isso e aproveitar da melhor forma as debilidades que eles têm.

Afonso, internacional português, em discurso direto:
“A ‘chave’ está muito no coletivo. A seleção portuguesa tem individualidades muito fortes, que aparecem baseadas num coletivo também ele muito forte. Sabemos muito bem o que queremos e o que tínhamos de fazer para vencer o jogo. Nunca nos desviámos desse processo.
Sabemos que, no futsal, há sempre golos, mas, se der para sofrermos menos golos, melhor. É sempre um objetivo que nós temos. Agora é recuperar muito bem, focar nos pontos fortes da França e novamente preocuparmo-nos com o que somos capazes de fazer”.