Olímpio Bento, José Manuel Constantino e Nuno Frazão complementaram o tema
A investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, Raquel Vaz Pinto, interveio no âmbito do Football Talks – Extra Time falando sobre a Pegada Social do Desporto.
Raquel Vaz Pinto dividiu essa pegada em quatro dimensões: Política e Missão; Portugal Espanha e Mundo; Representatividade e as mulheres e Desporto para todos e a população portuguesa
A investigadora citou Sven-Goran Eriksson: “no futebol há mais política do que na própria política”. Segundo Raquel Vaz Pinto essa realidade não é mais do que a prova da “centralidade do futebol que pode ter papel determinante nas estruturas da sociedade civil”.
Algumas ideias-chave de Raquel Vaz Pinto:
“O futebol e o desporto não devem ser neutros. Têm força para transformar a sociedade. O futebol deve ser igualmente uma âncora para liderar e inspirar também outros desportos que não tem tanta atenção mediática.
O futebol é a montra da inclusão. Uma forma de combate ao racismo, de tolerância ao outro e reforço identidade nacional”
Noutra dimensão, o desporto tem “a capacidade de atrair” e “o futebol é o soft power de Portugal (…) Importante participar, mas também ter voz nas esferas de decisão (…) Defendo a a articulação com o Ministério dos negócios estrangeiros”.
Noutro plano, Raquel Vaz Pinto sublinhou: “Metade das populações são mulheres, mas em matéria de participação e representatividade temos de ir mais longe.”
Por último, “o Desporto para todos é um desafio que cruza várias prioridades da sociedade e transversal a vários escalões etários”.
Raquel Vaz Pinto terminou a sua intervenção com outra citação, esta do avô:
“Eusébio só nos deu alegrias mesmo quando chorou e nós chorámos com ele. E em tempos difíceis e sombrios fez-me sorrir. É um dos meus heróis”.

Olímpio Bento e a transcendência
Na conversa a três, Jorge Olímpio Bento, Professor Catedrático Jubilado da FADEUP, recorreu ao filósofo Ortega y Gasset, para definir o desporto:
“O desporto é aquilo que separa o homem dos deuses. Os deuses não podem perder, os humanos têm de aprender a perder. Chama se a isso viver e florir
A transcendência nunca foi tão necessária como a dias de hoje.
Fico grato por ver nos programas da FPF um revivalismo dos bons valores, como a fraternidade, a convivialidade, a tolerância e a ética
Competitividade e competição não é a mesma coisa. Competição é uma forma de cooperação A competitividade é destruir o outro. Temos de restaurar a origem da palavra competição
Bendito seja este desporto que continua a manter nós viva e bem alta a bandeira da transcendência”

A esperança de José Manuel Constantino
O presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino:
“É a sociedade que condiciona mais o desporto ou o inverso? Porventura a resposta estará nos dois sentidos
Mas o futebol tem uma repercussão que não se encontra em lado algum. Em qualquer ponto do planeta encontramos a presença e vestígio da prática do futebol é uma linguagem comum e transversal a todas as sociedades. Mas não é unívoco. Nele coabitam vários modelos e nessa coabitação há várias dimensões e algumas delas conflituam sob o ponto de vista ético e moral.
O futebol exige leitura plural.
O desporto foi um elevador social para muitos atletas. Manifestado desde o acesso ao conhecimento à mundivivência.
Ver um jogador do Sporting a abraçar um do Benfica ou um atleta do FC Porto abraçar um outro do Benfica ou do Sporting é um sinal de esperança”

Nuno Frazão e as Escolhas
O fundador e CEO da Social Inovation Sports, Nuno Frazão, falou do projeto que lidera:
“Já estou há mais de 30 anos dedicado a projetos sociais ligados ao desporto que têm como objetivo mapear para poder empoderar e replicar
No âmbito do Programa Escolhas, no qual somos parceiros da FPF e IPDJ, criámos um programa desportivo que gera competências. Procura-se o sucesso escolar e desportivo, sendo que a componente ‘tribo’ é fundamental.”
