Tertúlia sobre o Futuro do Futebol Português
No arranque para a segunda etapa do 1º Congresso do Futebol Português, os caminhos, os desafios e as metas para o futuro da modalidade foram debatidos numa tertúlia de elite, moderada por Marco Carvalho, Diretor de Comunicação da Federação Portuguesa de Futebol. Ora, como se sabe, o futuro é muito importante, até porque é lá que o futebol português vai passar o resto da sua vida e isso mesmo foi sublinhado por Roberto Martínez, Selecionador Nacional, que colocou o acento tónico na importância da formação. “Ganhar, que é o objetivo final, faz parte da formação. Não podemos formar o nosso talento de outra forma. As nossas equipas da formação têm feito um trabalho fantástico, sublinhado com títulos. Mas, se no futebol profissional, quando não se ganha o treinador vai embora, na formação é importante tentar ganhar e saber ganhar”.
Tarantini, atual treinador do União de Paredes, clube que milita na Liga 3, falou da sua experiência para sublinhar “o enorme talento que existe nos jogadores, nos treinadores e nos árbitros numa competição semiprofissional”. “Claro que há muito a fazer, desde logo no capítulo da formação, sabendo que nem todos vão atingir o patamar do profissionalismo, mas o talento está cá”.
O crescimento exponencial do futebol feminino e as respetivas perspetivas de evolução foram abordadas de forma otimista por Matilde Fidalgo, antiga internacional A por Portugal. “A margem de progressão é enorme. Não podemos ter a ambição de sermos número um, como acontece com o masculino, mas podemos navegar nessa onda”. Também no futebol feminino, o segredo para o sucesso futuro passa pela aposta na formação e, sobretudo, “pela capacidade de atrair mais meninas para a prática da modalidade”. O desafio, sublinha Matilde Fidalgo, “é perceber as boas práticas do masculino e trilhar o próprio caminho, sabendo que o futebol tem de ser uma modalidade rentável”. Apesar do otimismo, é importante ter paciência antes de exigir resultados. “Um jogador ou jogadora profissional leva 15 anos da formação ao profissionalismo. Não podemos esperar resultados imediatos, mas devemos olhar para os pequenos passos com confiança, porque é com cada um deles que crescemos de forma sustentada”.
Ora, precisamente sustentado numa longa experiência como jogador e treinador, Costinha, antigo internacional A por Portugal, gostaria “que houvesse ainda maior peso daquilo que é a nossa formação na I Liga”. “Faz-me confusão como formamos tanto talento e depois não temos o aproveitamento total desse talento. Felizmente, o selecionador conta com grandes jogadores. Se o consegue é porque o trabalho foi bem feito e por isso devemos apostar mais na formação”. Uma ideia secundada por Roberto Martínez e sustentada com dados concretos. “A percentagem de jogadores sub-21 nacionais na I Liga é de 3,8%. Em França é o dobro disso. Sempre disse que o trabalho de formação em Portugal é o melhor da Europa. Temos muito talento e treinadores que trabalham muito bem, mas é fundamental dar minutos aos jogadores na I Liga”, referiu o selecionador, frisando que “a formação é um processo que continua durante primeiros 50 jogos profissionais do atleta. Temos de criar um ecossistema que promova esse talento”.
Apesar dos desafios, o otimismo em relação ao futuro acabou por ser a nota dominante na tertúlia. Matilde Fidalgo acredita que Portugal passará a ser uma presença constante nas grandes competições internacionais de futebol feminino “com objetivos cada vez mais ambiciosos”. Costinha, que se habituou a ver sucessivas gerações talentosas marcarem a história do futebol português, aposta na continuidade dessa tradição, enquanto Tarantini aponta a objetivos mais imediatos – “sermos campeões do Mundo” – sustentados no talento que é a marca do futebol português. Uma deixa aproveitada por Roberto Martínez para dizer que “todas as conquistas começam com um sonho”. “Agora é o Mundial. Sabemos que os jogos de março, no México e nos Estados Unidos, serão muito importantes para tomar decisões. Depois, é acreditar nos jogadores. Como se diz em Portugal, deixem-nos sonhar”.
