24.ª edição (1963/64) – Benfica

Taça de Portugal Placard

As águias conquistam a sua quarta "dobradinha" fechando a temporada com chave de ouro, ao golear o FC Porto (6-2). Mário Coluna ergueu a 12.ª Taça de Portugal do SL Benfica.

05.07.1964, Jamor – SL Benfica 6-2 FC Porto
José Augusto (1-0), José Augusto (2-0), Custódio Pinto (2-1), Eusébio (3-1), António Simões (4-1), Carlos Baptista (4-2), Serafim (5-2), José Torres (6-2)

Benfica fecha a temporada com nova goleada e quarta “dobradinha”
As águias juntam a conquista da Taça de Portugal (a 12.ª do seu historial) à conquista do Campeonato (o segundo consecutivo), alcançando a sua quarta “dobradinha”. Um Benfica goleador fecha uma temporada de sonho com nova goleada (6-2) diante do vice-campeão FC Porto. Os dragões perderiam pela terceira vez na sua quarta final diante dos encarnados.


Foto: "O Benfica Ilustrado", Acervo SL Benfica - Equipa do Benfica com Américo Tomás, Presidente da República entre 1958 e 1974


Foto: "O Benfica Ilustrado", acervo SL Benfica - Mário Coluna ergue a 12.ª Taça de Portugal do Benfica

O Benfica chegava à final da Taça após um Campeonato em que apontou 103 golos em 26 jogos – nunca as águias tinham marcado tanto e estes números eram apenas superados pelo Sporting dos “Cinco Violinos” na época de 1946/47 com 123 golos. Eusébio foi o goleador máximo do Campeonato com 28 tentos – mais seis que o seu colega de equipa José Torres (melhor marcador no ano anterior) e mais 11 que Figueiredo (Sporting). O húngaro Lajos Czezler perdeu apenas uma partida (com o Sporting, em Alvalade) e chegou ao final da temporada com mais quatro pontos que o FC Porto e mais 12 que Sporting e Vitória SC, terceiro e quarto classificados, respetivamente. Na Taça, as águias “passearam” – nas meias-finais eliminaram o Belenenses (3-1 e 3-0) e antes, foram vítimas da capacidade goleadora dos encarnados, o Lusitano de Évora (8-1 e 3-1), o Vianense (8-1 e 9-0) e o Luso (6-1 e 6-0).  Apenas nos quartos do final, o SC Salgueiros (1-1 e 3-1) ofereceu maior resistência.

O FC Porto não teve de disputar as meias-finais. O sorteio ditou o encontro com o Sport Club Lusitânia, de Angra do Heroísmo, mas dificuldades no transporte aéreo até à Ilha Terceira impossibilitaram a deslocação da equipa do FC Porto. A 29 de junho de 1964 foi celebrado um acordo entre ambos os clubes e a Federação Portuguesa de Futebol em que o Lusitânia FC prescindia de disputar as meias-finais em troca da realização de jogo particular a disputar em Angra do Heroísmo, com a receita a reverter para o clube açoriano. O Diário de Lisboa* de 29 de junho de 1964 falava em “confusão…” e a 30 de junho dava conta da desistência do Lusitânia. Com ilustração de Pargana e texto de Henrique Parreirão, o humor do espaço “7 dias em revista” do Diário de Lisboa*  ironizavam com o sucedido nas edições de  29 de junho e 6 de julho . Nos quartos de final, o FC Porto de Otto Glória´- que estaria no banco pela quinta vez em finais da Taça - eliminou a CUF (6-1 e 3-2)  - o clube do Barreiro terminou o Campeonato na terceira posição, a sua melhor classificação de sempre em 22 temporadas no primeiro escalão (entre 1954 e 1976) e antes deixara pelo caminho o Vitória SC (3-1 e 2-1), o Leixões (2-3 e 4-0) e os Leões de Santarém (7-0 e 3-1).

O detentor do troféu caíra nos oitavos de final diante do Vitória FC (2-2, 0-0 e 1-0 no jogo de desempate disputado em Évora). A partida de desempate foi jogada cinco dias depois dos leões erguerem a Taça dos Vencedores das Taças (ver texto em baixo).


Foto: Acervo SL Benfica

Na final, o Benfica venceu por claros 6-2. Na análise ao jogo no Diário de Lisboa* de 6 de junho de 1964, o jornalista Dinis Machado destacava o “poder ofensivo nos «encarnados»”, enquanto Fernando Soromenho escrevia “fazer golos sem jogar muito”, considerando “indiscutível” o triunfo das águias.

* - Casa Comum, desenvolvido por Fundação Mário Soares

Neste ano
O Sporting conquista a Taça dos vencedores das Taças a 15 de maio de 1964, após triunfo diante do MTK de Budapeste em Bruxelas. Morais apontou, de canto direto, o tento do triunfo leonino. Este foi o segundo encontro diante dos húngaros, pois registara-se um empate a três bolas dois dias antes em Bruxelas. Os leões eliminaram o Lyon nas meias-finais (0-0, 1-1 e 1-0 no jogo de desempate) e nos quartos de final operaram uma reviravolta fantástica, em Alvalade, diante do Manchester United – após derrota em Inglaterra, por 4-1, venceram por 5-0. Na eliminatória anterior a formação leonina eliminou o Apoel (16-1 e 2-0) – o triunfo da primeira mão ainda hoje constitui a maior goleada de sempre em provas da UEFA (face á goelada a formação cipriota acordou fazer o segundo jogo também em Lisboa). Na primeira ronda a equipa portuguesa eliminou a formação transalpina do Atalanta (0-2, 3-1 e 3-1 após prolongamento num jogo de desempate disputado em Barcelona e em que o Sporting esteve a perder).

A 12 de junho Nélson Mandela é condenado a prisão perpétua. Haveria de ser libertado em 1990. A 10 de maio de 1994 tornar-se-ia no primeiro presidente negro da África do Sul.

Entre 17 e 31 junho, a Espanha acolhe a segunda edição do Campeonato da Europa. A jogar em casa, a formação espanhola bateu a União Soviética, por 2-1, no Santiago Bernabéu. O ditador espanhol Franco que impedira a participação espanhola no Europeu de 1960 disputado na União Soviética comunista, só aceitou jogar a final depois de várias horas de reuniões.

Equipas
Árbitro: Rosa Nunes
Benfica: Costa Pereira. Domiciano Cavém, Fernando Cruz, Mário Coluna - Cap., Germano, Raul Machado, José Augusto, António Simões, José Torres, Eusébio, Manuel Serafim             .
Treinador: Lajos Czeizier
FC Porto: Américo, Alberto Festa, João Almeida, Joaquim Jorge, Carlos Baptista, António Paula, Jaime, Hernâni Silva, Azumir, Custódio Pinto, Francisco Nóbrega.
Treinador: Otto Glória


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29 de Julho 2020
Foto

O Benfica Ilustrado, Acervo SL Benfica

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