Cândido de Oliveira
     
(Seleccionador em 1926-1929; 1935-1945; 1952)

       

 O grande «mestre» do futebol em portugal

       

 Cândido Fernandes Plácido de Oliveira, alcunhado por muitos dos seus amigos mais íntimos de «chumbaca», graças à sua figura física corpulenta e atarracada, é uma das figuras mais marcantes da história do futebol em portugal. «mestre» Cândido foi o primeiro grande estudioso do futebol em portugal, responsável maior pelo aparecimento da selecção nacional, trabalhador incansável no sentido de que o Futebol Português se colocasse ao nível do que acontecia nos outros países da Europa, sobretudo nas suas vertentes organizativas.

       

Mas Cândido de Oliveira foi mais ainda: grande figura humana, democrata convicto que tomou desassombradas posições públicas contra os regimes de Hitler, de mussolini, de franco e salazar. A sua coragem intelectual só teve paralelo na sua coragem física. Foi sujeito a um sem-número de prisões levadas a cabo pela então pvde; brutalmente torturado e espancado a ponto de lhe terem partido todos os dentes; em 1942 é enviado para o campo de concentração do tarrafal. Sobre ele escreveu um livro chamado «tarrafal – o pântano da morte», publicado a título póstumo, após o 25 de abril de 1974. De regresso a lisboa. Demitido dos correios telégrafos e telefones (ctt), onde trabalhara longos anos e atingira a elevada função de inspector de exploração, funda com ribeiro dos reis e vicente de melo o jornal «a bola».

       

Nascido em fronteira, distrito de portalegre, cândido fernandes plácido de oliveira entrou para a casa pia em 1905 e cedo mostrou capacidades inatas para a prática do futebol, capacidades essas que o levaram ao benfica a partir da época de 1914-15. Aí se manteve até 1920, tendo saído para fundar o casa pia atlético clube. Apesar de se ter destacado também como avançado, cândido de oliveira foi um excelente médio centro, com uma capacidade de comando e de passe que fez dele um dos grandes jogadores portugueses das primeiras duas décadas do século xx. Seria ele o primeiro «capitão» da selecção nacional, no célebre jogo de madrid, em 1921.

       

Por várias vezes ocupou o cargo de seleccionador nacional – foi ele o responsável pelo cargo no primeiro grande êxito da selecção nacional, os jogos olímpicos de amesterdão, em 1928 -, tendo-se tornado num técnico sempre disponível para as necessidades da «equipa de todos nós». Foi jornalista na «stadium», director de «os sports», «diário de notícias», «diário de lisboa» e «o século» antes de fundar o jornal «a bola». Treinador do sporting dos «cinco violinos», da académica, do belenenses, do fc porto e do atlético, chegou também a orientar o flamengo, do brasil, em 1950-51. Foi autor de vários livros sobre desporto e táctica no futebol, sofreu uma pneumonia enquanto cobria, como enviado-especial de «a bola», o campeonato do mundo de 1958, na suécia. Como consequência, viria a falecer no dia 23 de junho desse ano.

               
                                                                                                                                                                                                                                                                                   
               
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